Nombre: Benevides Garcia
Lugar de nacimiento: Ipuã, Estado de São Paulo, Brasil
Residencia actual: Vinhedo, Estado de São Paulo, Brasil
Miembro desde: 22/03/2013


Poemas incluidos en esta página:
                - A outra face.
          - Ainda há tempo...
                - Ao entardecer.
                - Dádiva.
      - Chuva de abril.
- Céu de vidro.
- Cara de poeta.
- Cansaço.
- No tempo das horas mágicas...
- De profundis.
- Serenidade.
- Minha saudade.
- Lamento.
- Fantasia.
- Entreatos.
- Entardecer.
- .
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     A OUTRA FACE
 

É outono. O céu se derrama na paisagem
Estou só com a minha solidão...
Não há mais a companhia da chuva
E flocos de nuvens lembram-me presentes esquecidos
Enquanto num outro canto
O passado é página branca
Sem adeus.
Penso que a poesia
É a outra face
Onde guardo meu pranto...
Meu coração
É uma carroça quebrada
Solitária, abandonada
No pó da estrada antiga
E o tempo me arrasta
Com o furor de mil vendavais...
Vou...
Saio por aí
Vou cumprir à risca
O que já estava escrito
No início dos tempos
É outono... 
 
 
 
 
AINDA HÁ TEMPO...
 
 
O dia amanheceu
com ares de poesia...
O sol amarelo
coloriu as flores do jardim.
Uma saudade inquieta
trouxe lembranças tuas...
... misturadas aos restos de paixão.
Um vento macio
me faz companhia.
Quanto tempo já passou!
Quantos momentos perdidos no calendário da vida!...
Quanta solidão!...
Há muito não vive em mim
o palhaço que me fazia sorrir...
Em vão procuro
vestígios da minha sombra...
É preciso construir pontes...
É preciso se acercar da alegria...
Viver além da própria vida...
Ser viajante dos sonhos...
Ser feliz!...
 
 
 
 
    AO ENTARDERCER
 

Às vezes fico olhando
Os raios de sol na água
Que vibram como música
Enquanto a tarde se vai...
Outras, me pego cantando
Canções sem rimas
Que surgem a esmo, sem pensar...
Tem dias que o sol não aparece
E fica um tempo triste de se ver;
Então meus passos
Seguem direções impossíveis de saber
Se o horizonte é uma mancha na penumbra
Ou se é o dia que está a morrer...
Os últimos raios tingem o lago sereno
E um vento ameno
Passa trazendo uma saudade fria.
Os primeiros sinais da noite
Chegam com a luz pálida do casario
Enquanto mais além
Com ares suaves de poesia
Uma janela se abre para o amor
Que não vem...
 
 
 
DÁDIVA
 
 
Nada te entrego, a não ser restos de ilusões
que permaneceram com minha ânsia de viver...
Não te dou minhas promessas, pois meus passos
ficaram  perdidos  na esquina das esperas...
Escondo de ti a minha ausência,
que se ajuntará
ao canto triste das bocas mudas
que não sabem chorar,
nem tampouco sorrir...
Em silêncio,
pouco a pouco,
me afastarei de ti
e a lembrança
contida no tempo dos encontros
te acalentará...
 
 
 
CHUVA DE ABRIL
 
 
Chove...
É chuva de abril, pesada e triste
a cair nesta manhã sonolenta,
onde permaneço um pouco mais,
enquanto esta chuva que me apavora cai.
Penso nos dias de sol
e tento sorrir, quando meu rádio me traz de volta e diz:
“... nesta deliciosa manhã de segunda-feira..."
E o Poeta me lembra que:
“Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol.
Ambos existem: cada um como é”
Procuro inspiração
e ela não vem – só sinto a chuva
molhando-me alma e coração;
e lembro que pode ter sido também
obra de alguma feiticeira, que por meu descuido,
ou  por meu sono,
roubou meus versos que guardo
no cofre dos sonhos e da ilusão.
E chove!
Chove em todo lugar.
Chove nos cantos e chove a cântaros!
“It’s rain cats and dogs”,
como se cães e gatos
gostassem de chuva…
Até Raul, o Seixas
tinha medo da chuva...
Mas eu não a temo.
Eu tenho raiva!
Porque ela atrapalha meus planos,
e fica como espessa cortina,
a me impedir de abrir a janela,
e de olhar para o mundo...
Enquanto isto chove!
Esta chuva pesada e triste
que esconde o sol
e de mãos dadas com o vento,
encrespa as águas do mar...
 
Ah, mar e sol!
Que vontade de correr por  alvas areias
entre gentes de risos coloridos,
e gritos de alegria...
 
... e aqui chove, enquanto
ouço “November Rain”
que me traz doces lembranças,
e me faz sonhar...
E todo mundo quer ser feliz.
“Mas, eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural”, me diz Fernando, o Pessoa.
Enquanto isto...
Chove essa solidão dentro de mim...
 
 
 
 
CÉU DE VIDRO
 
 
Abro minha janela
e as certezas
que nunca tive,
entraram  junto
com minhas dúvidas e
anseios...
     ...
Lembranças queridas
me trazem um pouco de você
e minha alma ri...
Estrelas fugidias,
errantes
irradiam magia,
em meio ao silêncio
da rua deserta...
Mais além,
um som manhoso
de um tango ‘milongueiro’
vagueia pelos cantos
daquelas portas de muitas cores,
multicores...
              ...
Pra que me entregar
nos braços
de Morfeu
e perder este espetáculo,
que me embebeda
a alma
e mata minha sede?...
                 ...
Continuo
e me sinto
dono da noite
que galopa
sonhos,
entre brisa e luar.
Na  parede
da casa adormecida,
vejo nuances de
verdes que se
encastelam
e se engancham,
mostrando que arte
é também e apenas
uma maneira de viver...
Retorno    
e fecho a janela,
para o dia
que vem chegando.
Adormeço...
     
 
 
 
CARA DE POETA
 
 
Sinto o tempo passando
Por entre minhas janelas
Que outrora foram alegres
E cheias de vida...
... Mudei meu retrato,
Mudei minha cara,
Na esperança
De ficar mais moço,
Vivendo neste calabouço
De solidão sem fim.
Espero que assim
Tão longe de tudo,
Como também de mim
Um dia possa
Ser como a poesia que diz:
"Eu não tenho nada,
Mas rouxinóis
Gorgolejam versos na calçada
É assim que se começa
A ser feliz!"...
 
        
 
 
CANSAÇO...
 
 
Houve um tempo
Em que eu era
Apaixonado pela lua,
Pelas madrugadas silenciosas
E amava as manhãs sonolentas...
Eram dias que passavam
Em tardes tingidas de múltiplas cores
Nas horas pingadas de um velho relógio
Como um rio a correr alegre e saltitante
Por entre vales e árvores...
Outras vezes, era estrada empoeirada,
Vermelha, antiga
A ir para lugar algum...
Como gostaria enfim
Que agora minha vida fosse uma cadeira de sol
E nada mais...
 
 
 
 
NO TEMPO DAS HORAS MÁGICAS...
 
 
Desperto!
Ainda não sei
Se é manhã ou tarde,
Não me lembro...
E o que isso realmente importa?
Há tanta coisa
Que não importa mais,
Nesse tempo,
Onde lembranças se transformam
Em poeiras ao vento
E o amor é apenas o que resta
De uma porção de momentos descartáveis,
Sem marcas e sem rótulos,
Que aos poucos vão sendo levados
Para os jardins do esquecimento...
Desperto?
Que horas são?
Quem importa?...
 
 
 
 
DE PROFUNDIS
 
 
... olhei com os olhos de ontem
e não me encontrei...
Às vezes me vejo aqui comigo
e outras,  vou para onde não estou.
Às tardes...  encontro-me!
Rimos, cantamos,
declamamos poemas,
tomamos chá,
falamos da vida,
jogando fora tempo e conversa...
Somos iguais em tudo:
Pensamentos e atos,
histórias e ilusões.
Gostamos da chuva
quando tem raios de sol.
Agrada-nos tanto
os mistérios da noite,
escura e silenciosa...
E nos assustamos com a morte,
fria e traiçoeira,
que leva nossos sonhos
para o além...
 
 
 
 
SERENIDADE
 
 
Busque no entardecer a cor mais linda;
Recolha no vento uma oração;
Sonhe ao luar, sonhos de prata;
Nos pingos da chuva, ouça uma canção.
 
Abrace o tempo, colecione a vida;
Invente histórias pra rir e pra sonhar;
Seja luz em teus caminhos,
Seja estrela a brilhar!
 
Leve a paz aonde estiver;
Louve os encantos do amor;
Seja feliz, fazendo o mundo feliz;
Ria, ria bastante, viva a vida a sorrir...
...
[É bem melhor ser palhaço da vila
Do que vilão da história.]
...
 
Não corra, é melhor ir devagar
Que o tempo é maior!
Ajude, seja bom, seja amigo
Semeie amor e bondade
Sem pensar na colheita
Mas que certamente
Um dia virá,
Aqui ou acolá
(Ou um pouco mais além)
Na eternidade,
Amém...
 
   
 
 
MINHA SAUDADE
 
 
Minha saudade parece infinita:
Ela vem de séculos,
Caminha por muitos cantos,
E beija as almas nas lembranças doces.
Ela me conforta nos dias sombrios,
Quando a solidão resolve me acompanhar.
Está sempre indo e vindo:
Às vezes me dá de presente uma alegria
Mas, quase sempre me faz chorar...
Tem dias que passa o tempo comigo,
Depois parte em busca de novos corações.
E assim tudo se renova
Até chegar o dia,
Até chegar...
Até...
 
 
 
 
LAMENTO
 
 
Ah, se soubesse
A falta dolorida
Que você me faz
Este vazio imenso
Que agride a alma
Tirando–me a calma
E a vontade de viver...
 
Sou um barco abandonado
Sem porto e sem destino
A sobreviver nesta tormenta
Como um cão perdido
Sem dono, sem rumo
Que há muito perdeu o prumo
E não sabe mais voltar...
 
Tem dias que faço parte da paisagem
Para ressaltar simplesmente
A tristeza que habita nas coisas belas
Sou um joguete do destino
Aquele que não sonha
Sou aquele que esqueceu de viver...
 
Caminho sem saber para onde
Nem sei mais por quê
Meus dias são cinzentos
E as tardes são presságios
De perda e de dor...
 
Sou aquele que os deuses esqueceram
Que a vida não quis
E que o amor rejeitou
Sou vento que não sopra
Sou nuvem que não chove
Sou noites sem luar...
 
O que sei,
O que simplesmente sei
É que sem você
Eu nada sou!...
 
 
 
 
FANTASIA
 
 
Na minha rua
anjos cantam músicas celestiais,
pássaros pousam nos beirais
e há flores em profusão.
Nas cadeiras das calçadas
contam-se histórias dos tempos
onde a vida é passatempo
e há risos de montão.
Na minha rua
que tem um nome bonito,
tem luar todas as noites,
tem crianças e o infinito.
Serenatas de violões
encantam a vida e as paixões.
Esta rua abençoada
é de paz iluminada:
Nela tudo é candura e sonhar
que o tempo,muitas vezes,
até se esquece de passar...
 
 
          
 
 
ENTREATOS
 
 
Tento dormir e não consigo...
A noite bate na janela
Com suas mãos longas
E me vela com olhos oblíquos...
Ah...
Saudades...
Saudade de tudo,
Saudade de um tempo
Que não existe mais...
Lugares,
Cores,
Odores,
Amores...
Saudade daqueles que se foram para sempre...
Saudade da minha vida que ficou...
Por que será
Que tem
Certas horas
Que se está longe de tudo
E a vida dentro de nós
Parece perdida em labirintos de incerteza?...
A noite dorme...
E eu velo!...
 
    
 
 
ENTARDECER...
 
 
Ir...
Partir para o outro lado...
Há tempos que me entardeço...
 
A cada dia minhas tardes são mais lindas!
Até penso, às vezes,
Fugir por entre as cores da paisagem...
 
Entardeço...
Vou vivendo...
A vida me levando,
Escapando,
Escorrendo pelas frestas do tempo...
 
Entardeço...
Nem sei até quando:
Um dia, mudo de endereço...
 

 


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